segunda-feira, 5 de julho de 2010

Sonambulismo…






O sofrimento é um estado de inconsciência. Somos infelizes porque não somos conscientes do que estamos fazendo… do que estamos pensando, pelo que estamos sentindo... e por isso nos contradizemos continuamente, a cada momento. A acção vai em uma direcção, o pensamento em outra, o sentimento está em outra parte.
Vamos fazendo pedaços, cada vez estamos mais fragmentados. Isso é o sofrimento: perdemos integração, perdemos unidade. Perdemos por completo o centro, somos uma simples periferia.
E naturalmente, uma vida que não seja harmoniosa está condenada a ser miserável, trágica. O máximo a gente pode fazer é conseguir que este sofrimento seja menos doloroso.A gente vive perdida no sofrimento. Só existem duas maneiras de sair dele: a primeira consiste em converter-se em meditador: alerta, acordado, consciente... e isso é algo muito difícil… necessita-se coragem. A outra maneira consiste em encontrar algo que te possa deixar ainda mais inconsciente do que já está, para que não possa sentir o sofrimento. Encontra algo que te deixe totalmente insensível, algo que te intoxique, algum anestésico que te deixe tão inconsciente que possa escapar a essa inconsciência e esquecer todas suas ansiedades, angústias...
A segunda maneira não é a verdadeira. A segunda maneira só faz que seu sofrimento resulte um pouco mais confortável, um pouco mais suportável, um pouco mais cômodo. Mas não ajuda, não te transforma. A única transformação chega pela via da meditação, porque a meditação é o único método que te faz consciente.
O que eu me proponho é te levar mais à frente do sofrimento. Não há necessidade de adaptar-se ao sofrimento: existe a possibilidade de livrar-se por completo dele. Mas o caminho é um pouco difícil; o caminho é um desafio…Tem que te fazer consciente de seu corpo e do que faz com ele...
O primeiro passo para a consciência é dar muita atenção a seu corpo.Pouco a pouco, alguém se vai pondo em estado de alerta ante cada gesto e cada movimento. Há medida que se vai tornando consciente, começa a ocorrer um milagre…deixa de fazer muitas coisas que antes fazia,e uma profunda paz começa a prevalecer inclusive em seu corpo, uma música subtil vibra em seu corpo.
Depois, começa a te fazer consciente de teus pensamentos; terá que fazer o mesmo com os pensamentos. São mais subtis que o corpo e é obvio, também mais perigosos. E quando te fizeres consciente de seus pensamentos, surpreenderá-te o que ocorre em seu interior. Se puser por escrito o que está ocorrendo em qualquer momento, levará-te uma grande surpresa. Não vais acreditar isso «Isto é o que está ocorrendo dentro de mim?»…
E quando seu corpo e sua mente estejam em paz, verá que estão sintonizados um com outro, que existe uma ponte. Agora já não correm em diferentes direcções.Pela primeira vez há acordo, e esse acordo constitui uma ajuda imensa para trabalhar terceiro passo: te fazer consciente de teus sentimentos, emoções, estados humor. Esta é a capa mais subtil e mais difícil, mas se pode ser consciente dos pensamentos só tem que dar um passo mais. Necessita-se uma consciência um pouco mais intensa para começar a meditar sobre seus estados de humor, suas emoções, seus sentimentos.
O que você não pode fazer ocorre por si só, é um presente da totalidade. É uma recompensa para os que têm feito estas três coisas.
E a quarta coisa é a consciência definitiva que o acorda mesmo. Alguém se faz consciente da própria consciência, essa é a quarta coisa… Isso te converte num ser acordado. E só nesse despertar chega um a conhecer o que é a bem-aventurança…O corpo conhece o prazer, a mente conhece a felicidade, o coração conhece a alegria, a quarta coisa conhece a bem-aventurança. A bem-aventurança é o objectivo, e a consciência é o caminho que leva a ela…
Consciência significa que é completamente consciente de algo que esteja ocorrendo nesse momento. Você está presente… Se você estiver presente quando surge a ira, a ira não pode surgir. Só pode ocorrer quando está completamente dormindo. Quando está presente, inicia-se imediatamente uma transformação em seu ser, porque quando você está presente, consciente, muitas coisas simplesmente não são possíveis...E a única virtude? Estar completamente alerta quando faz algo.Não precisa mudar nada, e embora tentasse mudar algo não poderia. Já tentaste mudar muitas coisas em ti?Conseguiste-o? Quantas vezes decidiste não voltar a te enfurecer? O que ocorreu com seus propósitos? Quando chega o momento, volta a cair na mesma armadilha; fica furioso, e quando a fúria passou, arrepende-se…converteu-se em um círculo vicioso: incorre na ira, arrepende-te e fica preparado para voltar a incorrer.Recorda que embora te arrependas não estás aí:Por isso não ocorre nada. Segue tentando-o uma e outra vez, e tomadas muitas decisões e te faz muitos propósitos, mas não ocorre nada. Segue igual. É exactamente igual a quando nasceu, sem que se tenha produzido em ti nem a
mais mínima mudança. Não é que não o tenha tentado, não é que não te tenha esforçado, tentaste-o uma e outra vez. E fracassas porque não é questão de esforço, te esforçar mais não te servirá de nada. É questão de estar alerta, não de esforço.
Se estiver alerta, muitas coisas simplesmente desaparecem; não precisa te desfazer delas. Em estado consciente, certas coisas não são possíveis… E esta é minha definição, não existe outro critério.
Em vinte e quatro horas te perderás vinte e quatro mil vezes, mas te reincorporarás outras vinte e quatro mil vezes. E agora começa a funcionar um novo modo…agora se começa a abrir uma nova dimensão, pouco a pouco. Cada vez será mais capaz de te manter consciente, cada vez serão menos as idas e vindas. O percurso de ida e volta se irá cortando cada vez mais. Cada vez se esquecerá menos, cada vez te lembrarás mais; está entrando na vertical, de repente, um dia, a horizontal desaparece… E você desperta… Todos se riem ao despertar. Sua risada é como o rugido de um leão.Não se riem de ti, riem-se de toda a piada cósmica. Tinham vivido em um sonho,dormidos…

OSHO

CARPE DIEM

domingo, 4 de julho de 2010

Pensamento do dia...



A vigília é o caminho da vida.
O parvo dorme como se já estivesse morto,
Mas o professor está acordado e vive eternamente.
Está vigilante. Tem claridade.
Que feliz é? Porque vê que estar acordado é viver.
Que feliz é seguindo o caminho dos acordados.
Com grande perseverança medita, procurando a liberdade e a felicidade.


GAUTAMA BUDA


CARPE DIEM

Wake up...







Uma das coisas mais importantes que terá que entender é que a maioria das pessoas estão dormindo. Mesmo que acreditem que estão acordados, não estão. Seu estado de vigília é muito frágil; seu estado de vigília é tão insignificante que carece por completo de importância. Sua vigília é só uma bonita palavra, mas totalmente vazia.
As pessoas dormem de noite, dormem de dia... do nascimento até a morte, vão trocando suas pautas de sonho; mas nunca chegam a despertar de verdade. Só porque tenha aberto os olhos, não se engane a si mesmo pensando que está acordado. A menos que lhe abram os olhos interiores, a menos que seu interior se encha de luz, a menos que se possa ver a si mesmo, ver quem é... não acredite que esteja acordado. Essa é a maior ilusão em que vive o homem. E se alguém se convence de que está verdadeiramente acordado, então já não tem sentido fazer nenhum esforço por despertar.
O primeiro que deve te gravar bem no coração é que está dormindo,completamente dormindo. Está sonhando, um dia atrás de outro. Às vezes sonha com
os olhos abertos e outras vezes com os olhos fechados, mas está sonhando... você mesmo é um sonho. Ainda não é uma realidade.
É obvio, algo que faça em um sonho carece de sentido. Algo que pense é insustancial; algo que projecte seguirá formando parte de seus sonhos e nunca te permitirá ver a realidade. Por isso todos os budas insistiram em uma única coisa…Acordem! Continuamente, ao longo dos séculos, tudo seus ensinos se podem resumir em uma só frase: deve despertar. E para isso idearam métodos, estratégias, criaram contextos e espaços e campos de energia nos que um choque te pode fazer despertar.
Sim, a menos que sofra um choque que te sacuda de acima a abaixo, não despertará. O sonho durou tanto que chegou ao centro mesmo de seu ser; está
empapado nele. Cada célula de seu corpo e cada fibra de sua mente se encheram de sonho. Não é um fenômeno de pouca subida. Por isso se necessita um grande esforço para manter-se alerta, atento, vigilante. Para converter-se em uma testemunha.
Se houver uma questão em que estão de acordo todos os budas do mundo, é esta… Que o homem, tal como é, está dormindo e deveria despertar…


OSHO


CARPE DIEM

sábado, 3 de julho de 2010

Insanidade...










Quando o sofrimento nos domina, faz com que desejemos ter mais sofrimento. Passamos a ser vítimas. Queremos infligir sofrimento, ou senti-lo, ou ambos. Na verdade, não há muita diferença entre os dois. É claro que não temos consciência disso e afirmamos que não queremos sofrer. Mas, preste bem atenção e verá que o seu pensamento e o seu comportamento estão programados para continuar com o sofrimento, tanto para você quanto para os outros. Se você estivesse consciente disso, o padrão iria se desfazer, porque desejar mais sofrimento é uma insanidade, e ninguém é insano conscientemente.
O sofrimento, a sombra escura projectada pelo ego, tem medo da luz da nossa consciência. Teme ser descoberto. Sobrevive graças à nossa identificação inconsciente com ele, assim como do medo inconsciente de enfrentarmos o sofrimento que vive dentro de nós. Mas se não o enfrentarmos, se não direccionarmos a luz da nossa consciência sobre o sofrimento, seremos forçados a revivê-lo. O sofrimento pode nos parecer um monstro perigoso, mas eu lhe garanto que se trata de um fantasma frágil. Ele não pode prevalecer sobre o poder da nossa presença.
Alguns ensinamentos espirituais dizem que todo sofrimento é, em última análise, uma ilusão, e isso é verdade. A questão é se isso é uma verdade para você. Acreditar simplesmente não transforma nada em verdade.
Você quer sofrer para o resto da vida e permanecer dizendo que é uma ilusão? Será que essa atitude livra você do sofrimento? O que nos interessa aqui é o que podemos fazer para vivenciar essa verdade, ou seja, torná-la real em nossas vidas.
Portanto, o sofrimento não quer que nós o observemos directamente e vejamos o que ele realmente é. No momento em que o observamos, sentimos seu campo energético dentro de nós e desfazemos nossa identificação com ele, surge uma nova dimensão da consciência. Chamo a isso presença. Passamos a ser testemunhas ou
observadores do sofrimento. Isso significa que ele não pode mais nos usar, fingindo ser nosso eu interior. Então, não temos mais como realimentá-lo. Aqui está nossa mais profunda força interior…
Se esse é o seu caso, observe a resistência dentro de você. Observe o seu apego ao sofrimento. Esteja muito alerta. Observe como é estranho ter prazer em ser infeliz. Observe a compulsão de falar ou pensar a esse respeito. A resistência deixará de existir se você torná-la consciente. Poderá então dar atenção ao sofrimento,estar presente como testemunha e iniciar a transformação.Só você pode fazer isso. Ninguém pode fazer por você.

Eckhart Tolle


CARPE DIEM

Libertando-se…

***▼The Wall▼***
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…derrube os seus muros…



A boa notícia é que podemos nos libertar de nossas mentes. Essa é a única libertação verdadeira. Dê o primeiro passo nesse exacto momento. Comece a prestar atenção ao que a voz diz, principalmente a padrões repetitivos de pensamento, aquelas velhas trilhas sonoras que você escuta dentro da sua cabeça há anos. É isso que quero dizer com “observar o pensador”. É um outro modo de dizer o seguinte: ouça a voz dentro da sua cabeça, esteja lá presente, como uma testemunha.
Seja imparcial ao ouvir a voz, não julgue nada. Não julgue ou condene o que você ouve, porque fazer isso significaria que a mesma voz acabou de voltar pela porta dos fundos. Você logo perceberá: lá está a voz e aqui estou eu, ouvindo-a e observando-a. Sentir a própria presença não é um pensamento, é algo que surge de um ponto além da mente.
Assim, ouvir um pensamento significa que você está consciente não só do pensamento, mas também de você mesmo, como uma testemunha daquele pensamento. Isso acontece porque uma nova dimensão da consciência acabou de surgir. Quando você ouve o pensamento, sente uma presença consciente, que é o seu eu interior mais profundo, por trás ou por baixo do pensamento. O pensamento, então, perde o poder que exerce sobre você e se afasta rapidamente, porque a mente não está mais recebendo a energia gerada pela sua identificação com ela. Esse é o começo do fim do pensamento involuntário e compulsivo.
Quando um pensamento se afasta, percebemos uma interrupção no fluxo mental, um espaço de “mente vazia”. No início, esses espaços são curtos, talvez apenas alguns segundos, mas, aos poucos, se tornam mais longos. Quando esses espaços acontecem, sentimos uma certa serenidade e paz interior. Esse e o começo do estado natural de nos sentirmos em unidade com o Ser, que normalmente é encoberto pela mente. Com a prática, a sensação de paz e serenidade vai se intensificar. Na verdade, essa intensidade não tem fim. Você também vai sentir brotar lá de dentro uma subtil emanação de alegria, que é a alegria do Ser.
Não se trata de um estado de transe. Nada disso. Se o preço da paz fosse a perda da consciência e o preço da serenidade, uma falta de vitalidade e de vivacidade, então não valeria a pena. É exactamente o oposto. Nesse estado de conexão interior, ficamos muito mais alertas. Estamos presentes por inteiro.
Ao penetrarmos mais profundamente nessa área de “mente vazia”, como ela às vezes é chamada no Oriente, começamos a perceber o estado de pura consciência. Nesse estado, sentimos a nossa própria presença com tal intensidade e alegria que os pensamentos, as emoções, nosso corpo, o mundo exterior – tudo se torna insignificante comparado a ele. No entanto, não é um estado egoísta, e sim generoso. Ele nos transporta para um ponto além do que antes julgávamos ser o nosso “eu interior”. Essa presença é essencialmente você e, ao mesmo tempo, muito maior do que você.
Em vez de “observar o pensador”, podemos também criar um espaço no fluxo da mente, direccionando o foco da nossa atenção para o Agora. Torne-se consciente do momento. Isso é profundamente gratificante de se fazer. Agindo assim, desviamos a consciência para longe da actividade da mente e criamos um espaço de mente vazia, em que ficamos extremamente alertas e conscientes, mas sem pensar. Essa é a essência da meditação.
Na vida diária é possível pôr isso em prática dando total atenção a qualquer actividade rotineira,normalmente considerada como apenas um meio para atingir um objetivo, de modo a transformá-la em um fim em si mesma. Por exemplo, todas as vezes que você subir ou descer as escadas em casa ou no trabalho, preste muita atenção a cada passo, a cada movimento, até mesmo à sua respiração. Esteja totalmente presente. Ou,quando lavar as mãos, preste atenção a todas as sensações provocadas por essa actividade, como o som e o contacto da água, o movimento das suas mãos, o cheiro do sabonete, e assim por diante. Ou então, quando entrar em seu carro, pare por alguns segundos depois que fechar a porta e observe o fluxo da sua respiração. Tome consciência de um silencioso, mas poderoso, sentido de presença. Para medir, sem errar, o seu sucesso nessa prática, verifique o grau de paz dentro de você.
Portanto, o passo mais importante na caminhada em direcção à iluminação é aprendermos a nos dissociar de nossas mentes.
Todas as vezes que criamos um espaço no fluxo do pensamento, a luz da nossa consciência fica mais forte.
Um dia você pode se surpreender sorrindo para a voz dentro da cabeça, como sorriria para as travessuras de uma criança. Isso significa que você não está mais levando tão a sério o que vai pela mente, Pois o seu eu interior não depende dela.


Eckhart Tolle



CARPE DIEM

Acordem...





A iluminação é um estado de plenitude, de estar “em unidade” e, portanto, em paz. Em unidade tanto com o universo quanto com o eu interior mais profundo, ou seja, o Ser. A iluminação é o fim não só do sofrimento e dos conflitos internos e externos permanentes, mas também da aterrorizante escravidão do pensamento. Que maravilhosa libertação!!!
Pergunto então: você consegue se livrar da sua mente quando quer? Já encontrou o botão que a “desliga”?
A idéia é parar de pensar completamente? Não, não consigo, a não ser por um ou dois segundos.
Então, é porque a mente está usando você. Estamos tão identificados com ela que nem percebemos que somos seus escravos. É quase como se algo nos dominasse sem termos consciência disso e passássemos a viver como se fôssemos a entidade dominadora. A liberdade começa quando percebemos que não somos a entidade dominadora, o pensador. Saber disso nos permite observar a entidade. No momento em que começamos a observar o pensador, ativamos um nível mais alto de consciência. Começamos a perceber, então, que existe uma vasta área de inteligência além do pensamento, e que este é apenas um aspecto diminuto da inteligência.
Percebemos também que todas as coisas realmente importantes como a beleza, o amor, a criatividade, a alegria e a paz interior surgem de um ponto além da mente. É quando começamos a acordar...


Eckhart Tolle


CARPE DIEM

O tesouro...






Por mais de trinta anos um mendigo ficou sentado no mesmo lugar, debaixo de uma marquise. Até que um dia, uma conversa com um estranho mudou sua vida:
– Tem um trocadinho aí pra mim, moço? – murmurou, estendendo mecanicamente seu velho boné.
– Não, não tenho – disse o estranho. – O que tem nesse baú debaixo de você?
– Nada, isso aqui é só uma caixa velha. Já nem sei há quanto tempo sento em cima dela.
– Nunca olhou o que tem dentro? – perguntou o estranho.
– Não – respondeu. – Para quê? Não tem nada aqui, não!
– Dá uma olhada dentro – insistiu o estranho, antes de ir embora.
– O mendigo resolveu abrir a caixa. Teve que fazer força para levantar a tampa e mal conseguiu acreditar ao ver que o velho caixote estava cheio de ouro.
Eu sou o estranho sem nada para dar, que está lhe dizendo para olhar para dentro. Não de uma caixa, mas sim de você mesmo. Imagino que você esteja pensando indignado: “Mas eu não sou, um mendigo!”
Infelizmente, todos que ainda não encontraram a verdadeira riqueza – a radiante alegria do Ser e uma paz inabalável – são mendigos, mesmo que possuam bens e riqueza material. Buscam, do lado de fora, migalhas de prazer, aprovação, segurança ou amor, embora tenham um tesouro guardado dentro de si, que não só contém tudo isso, como é infinitamente maior do que qualquer coisa oferecida pelo mundo.

Eckhart Tolle


CARPE DIEM